quinta-feira, setembro 30, 2004

ESTAMOS FECHADOS PARA FÉRIAS.
E para balanço, também...
Vou procurar os representantes do mito urbano de corações partidos, alma enxovalhada, vida amarrotada. Vou repensar a pessoa que sou, para não ficar com dores grandes em corpo de gente pequena, e com visão de pessoa crescida com ideais de criança.
Perdoem-me a falta de profundidade, mas recuso a escrita nonsense. Descobrimos que o nonsense é giro, fácil e tem significado. Muitos significados. Todos aqueles que queremos, o nonsense é feito à medida de cada um. Como é non sense, tem todos os sentidos que lhe quisermos dar, tornando-o o bocadinho nosso.
Ainda assim, prefiro esperar. E apresento-vos depois a teoria substituta da velha história das metades da laranja : os gomos da laranja. Não percam, já a seguir.
segunda-feira, setembro 27, 2004
Pedido
Agradece-se ao visitante nº 1000 que se identifique e deixe um comentário.
A gerência agradece a visita e a cortesia.
A gerência agradece a visita e a cortesia.
domingo, setembro 26, 2004
eLeFaNtEs
Estava a olhar para os elefantes e pensei : "...como é que isto aconteceu? Diz-me...!"
- Bom, eu nao sei bem
- Não sabes bem???
- Não...eu estava ali, estava fechada e confinada a mim. De repente saí de mim e fugi.
- Mas foste para onde?
- Não sei
- Não sabes??
- Não...não era eu..era ela.
- Ela? Ela quem?
- Eu..
Como é que isto aconteceu?
Como é que foste e me deixaste aqui...personagem deflectida nos teus brilhos e cadencias diárias.
20 de Agosto, 2004
- Bom, eu nao sei bem
- Não sabes bem???
- Não...eu estava ali, estava fechada e confinada a mim. De repente saí de mim e fugi.
- Mas foste para onde?
- Não sei
- Não sabes??
- Não...não era eu..era ela.
- Ela? Ela quem?
- Eu..
Como é que isto aconteceu?
Como é que foste e me deixaste aqui...personagem deflectida nos teus brilhos e cadencias diárias.
20 de Agosto, 2004
sábado, setembro 25, 2004
Velhice
"-will you ever forgive me for letting go...?
-I'll forgive you, sure, but I don't know if I'll ever understand..."
Ally McBeal, num episódio qualquer.
-I'll forgive you, sure, but I don't know if I'll ever understand..."
Ally McBeal, num episódio qualquer.
sexta-feira, setembro 24, 2004
Comentário
Os verões servem sempre para algo, para sermos. Para deixarmos, e para nos elevar a céus mais límpidos que os comuns das manhãs baças de inverno.
Os verões servem às peles dos corpos mais esquecidos e frios, aos corpos mornos e deixados ao acaso. O verões servem para amenizar as respirações ofegantes que embaciam os vidros da alma
Os verões servem às peles dos corpos mais esquecidos e frios, aos corpos mornos e deixados ao acaso. O verões servem para amenizar as respirações ofegantes que embaciam os vidros da alma
quinta-feira, setembro 23, 2004
Intervalo Comercial
Esta nao sou eu. Ou aquela nao era eu?
Isto são pequenos nadas, que deixei de procurar, e que me cairam no colo.
Janelas com vistas para mundos anunciados em pequenos intervalos comerciais da minha vida.
Pode ser que esta novela tenha prime-time no meu coração, pode ser que tenha um final supreendente.
Porque é só isso que quero : ser surpreendida. Por vós, e por mim.
Isto são pequenos nadas, que deixei de procurar, e que me cairam no colo.
Janelas com vistas para mundos anunciados em pequenos intervalos comerciais da minha vida.
Pode ser que esta novela tenha prime-time no meu coração, pode ser que tenha um final supreendente.
Porque é só isso que quero : ser surpreendida. Por vós, e por mim.
domingo, setembro 19, 2004
Ao meu antigo Live Journal
Não sei o que tens em mim, se é a brancura da tua pele morena, as linhas desse teu corpo vazio, ou as letras que acumulas na garganta, mas dás-me mais espaço que eu própria a mim.
Mãos
Hoje a minha mão direita cansou-se de escrever. Tenho dores nas articulações dos meus dedos. E acaba-se o espaço para escrever. Às vezes acaba-se-me a tinta dos meus dedos cansados. Acaba-se também o ar que respiro, e fecha-se a dor sobre mim.
E dou por mim a escrever sob a influência de deuses divertidos com esta minha ingenuidade perdida e atemporal.
Erros em vão, em que não acredito. Palavras que doem, ferem, e mãos que me puxam. Desculpem, mas tive que fechar a porta a todos vós.
Algum dia teria que o fazer.
Já te disse que me apetece novamente cortar o cabelo bem curto?
E dou por mim a escrever sob a influência de deuses divertidos com esta minha ingenuidade perdida e atemporal.
Erros em vão, em que não acredito. Palavras que doem, ferem, e mãos que me puxam. Desculpem, mas tive que fechar a porta a todos vós.
Algum dia teria que o fazer.
Já te disse que me apetece novamente cortar o cabelo bem curto?
segunda-feira, setembro 13, 2004
Sabes...?
"Sabes que me apaixono por ti de cada vez que penso no que se passou entre nós?
Apaixono-me por ti cerca de sete vezes por dia...
Enamoro-me de nós, e da intensidade de tantos pequenos nadas.
Enamoro-me da química que havia quando as nossas mãos se tocavam, sem querer, algumas vezes. Pairo no ar com a sensação intensa de partilha que senti, flutuo na sensação de saber o que sentiste.
Apaixono-me por ti em cada memória que me assalta à luz do dia. E apaixono-me em cada quarto minguante que me lembra países distantes e desejos contidos."
Apaixono-me por ti cerca de sete vezes por dia...
Enamoro-me de nós, e da intensidade de tantos pequenos nadas.
Enamoro-me da química que havia quando as nossas mãos se tocavam, sem querer, algumas vezes. Pairo no ar com a sensação intensa de partilha que senti, flutuo na sensação de saber o que sentiste.
Apaixono-me por ti em cada memória que me assalta à luz do dia. E apaixono-me em cada quarto minguante que me lembra países distantes e desejos contidos."

Por ocasião.
Por ocasião de músicas estranhas e divertidas apeteceu-me fazer destas linhas um pedacinho de mim mesma. E digo, também por ocasião de raiva e descoberta, que de facto vós sois todos iguais.
Sabem qual é o problema de mentir? É ser apanhado. Tornamo-nos cobras vis e rastejantes. Se não formos descobertos seremos sempre puros anjos incapazes de tais acções. Se mentirmos bem o suficiente para não sermos apanhados a vida torna-se mais simples. O meu problema foi nunca querer mentir mesmo a sério.
Pouco me importam agora os olhos que me lêm e o pouco sentido que isto decerto fará para alguns de vós. Só alguns.
Mintam, mas mintam bem. Tornam a vida mais fácil a todos nós.
E como dizia o outro, comam frutas e legumes de produção nacional.
Sabem qual é o problema de mentir? É ser apanhado. Tornamo-nos cobras vis e rastejantes. Se não formos descobertos seremos sempre puros anjos incapazes de tais acções. Se mentirmos bem o suficiente para não sermos apanhados a vida torna-se mais simples. O meu problema foi nunca querer mentir mesmo a sério.
Pouco me importam agora os olhos que me lêm e o pouco sentido que isto decerto fará para alguns de vós. Só alguns.
Mintam, mas mintam bem. Tornam a vida mais fácil a todos nós.
E como dizia o outro, comam frutas e legumes de produção nacional.
sexta-feira, setembro 10, 2004
800
Vim, por acaso, espreitar o meu blog, e aproveitar para fazer um post impublicável, quando olho para o contador : 800.
Refoda-se. 800?
Bolas.
Refoda-se. 800?
Bolas.
quarta-feira, setembro 08, 2004
H2O
As pessoas encontram formas diferentes de respirar quando estão sufocadas. A água, quando entra em nós, nos nossos pulmões e nos mata pouco a pouco, segundo a segundo, tem que ser rejeitada, tem que ser devolvida, retirada de nós.
Todos os seres que respiram, sufocam também. E vêm à tona para respirar. Os caminhos que as células percorrem em momentos de sufoco são inexplicáveis. São como letras atrás de letras, a tentar desesperadamente explicar este mundo, sem nunca conseguir. Sem nunca passar de borrões de tinta, virtuais ou não, que carregam consigo mágoas e lágrimas, sorrisos e dor.
A vida dentro de água é estranha, lenta. Turva. São horas que se arrastam, são sombras que nos perseguem. São pedacinhos de vidro na areia que nos cortam os pés, misturando o nosso sangue com as moléculas de oxigénio e hidrogenio perdidas e combinadas em soluçães molhadas de tanto peso.
O sal nesta água, neste mar, é indissoluvel. É denso, escuro, fechado. Plano e transversal a palavras tão iguais a nós.
Ficam particulas suspensas no ar da água. Ficam a girar, à espera que algo as agarre e feche numa palma de uma mão, cheia de linhas e impressoes digitais ditadores de destinos incertos, confusos e surpreendentes.
Todos os seres que respiram, sufocam também. E vêm à tona para respirar. Os caminhos que as células percorrem em momentos de sufoco são inexplicáveis. São como letras atrás de letras, a tentar desesperadamente explicar este mundo, sem nunca conseguir. Sem nunca passar de borrões de tinta, virtuais ou não, que carregam consigo mágoas e lágrimas, sorrisos e dor.
A vida dentro de água é estranha, lenta. Turva. São horas que se arrastam, são sombras que nos perseguem. São pedacinhos de vidro na areia que nos cortam os pés, misturando o nosso sangue com as moléculas de oxigénio e hidrogenio perdidas e combinadas em soluçães molhadas de tanto peso.
O sal nesta água, neste mar, é indissoluvel. É denso, escuro, fechado. Plano e transversal a palavras tão iguais a nós.
Ficam particulas suspensas no ar da água. Ficam a girar, à espera que algo as agarre e feche numa palma de uma mão, cheia de linhas e impressoes digitais ditadores de destinos incertos, confusos e surpreendentes.
segunda-feira, setembro 06, 2004
Terremoto.
Às vezes tenho a sensação de que me vou partir ao meio. Vai enventualmente haver um terramoto num qualquer epicentro do meu corpo. As placas tectónicas do meu interior vão deslizar e vão abrir uma gigantesca falha em mim.
Começa na minha cabeça, vai dividir-me em dois, vai separar os meus olhos e as minhas lágrimas, vai abrir o meu peito em dois e pôr a descoberto tudo em mim. Todas as minhas mágoas, todas as impurezas deste meu sangue obscuro vão ficar à tona. A minha cintura vai partir-se em dois, as minhas ancas vão ficar eternamente separadas.
Os meus pés não vão notar a diferença. Mas são só eles.
E eu vou ficar assim, separada de mim, exposta, a ver-me em duas metades paralelas.
Começa na minha cabeça, vai dividir-me em dois, vai separar os meus olhos e as minhas lágrimas, vai abrir o meu peito em dois e pôr a descoberto tudo em mim. Todas as minhas mágoas, todas as impurezas deste meu sangue obscuro vão ficar à tona. A minha cintura vai partir-se em dois, as minhas ancas vão ficar eternamente separadas.
Os meus pés não vão notar a diferença. Mas são só eles.
E eu vou ficar assim, separada de mim, exposta, a ver-me em duas metades paralelas.

sexta-feira, setembro 03, 2004
Freud. Ou não fosse eu, eu.
"...sinceramente só me apetece é abraçar-te e beijar-te até não poder mais..."
São só palavras. Sinceramente apetece-me comer as palavras. Apetece-me engoli-las e torná-las minhas, tão minhas como as minhas dores.
Apetece-me a ti, tornar-me meu, presente nesta confusão de vida, neste baralho espalhado de coisas pequenas em mim. Confesso que ultimamente tenho tido medo. Medo de tudo
De mim, desta minha psico somaticidade que me trás pelos pés, a arrastar-me em lamas passadas que deveriam estar secas há muito.
De ti, desta tua rua que se tornou avenida e me faz vislumbrar cidades. Desconhecidas, inexistentes, dirão certamente que sou louca. Mas isso não estava em discussão pois não...?
Dos outros. Tenho medo dos outros, do mal que isto me faz. Tenho medo do mal que me farão quando escrevo linhas incertas. Finjo que não as conheço, que não as vou por em sítio nenhum. Finjo que escrevo só para mim. E depois não dou explicações.Não tenho que dar, ao diabo convosco. Ou comigo. Mas, ou vocês ou eu, alguém tem que ir para o Diabo. Ele está lá sozinho, em parceria com Deus. Heresias que me saem dedos fora, sem travões.
Da dor. Temo a dor como nada nesta vida. Temo os momentos de desespero físico, de cansaço, de depressão. Temo sentir o coração a secar, o estomago a arder, as faces a estalar. Sentir o amanhã aqui seria bom, ma não sentir o agora aqui já não seria mau.
Temo a inércia que de vez em quando se agiganta em mim. Braços enormes de inércia prendem-me, agarram-me. Solta-me tu, se fores capaz. Ou ensina-me a soltar-me.
Estou habituada a ver mais do que tu, se te interessa. Sim, lê-me, mas não conseguirás ler o mesmo que eu. Sim, ouve-me, mas nunca ouvirás o mesmo que eu. São as minhas letras e sons, que tu nem vislumbras. Chama-me doida, sim, diz que sou obssessivo compulsiva. Conta à humanidade que me viste a chorar, no chão. Segreda-lhes que sou uma alma perdida, que vagueio em busca de ombros. Diz-lhes tudo o que há de horrivel sobre mim. Faz-me esse favor. Pelo menos deixo de causar desilusões.
Hoje estou cansada de mim. Estou cansada de ver fenómenos psíquicos por mim sobejamente conhecidos, actuarem no meu corpo e mente, e eu aqui, impotente. Sinto-me uma formiga no carreiro da minha psicopatologia gigante.
Haja um Freud que me salve de mim.
São só palavras. Sinceramente apetece-me comer as palavras. Apetece-me engoli-las e torná-las minhas, tão minhas como as minhas dores.
Apetece-me a ti, tornar-me meu, presente nesta confusão de vida, neste baralho espalhado de coisas pequenas em mim. Confesso que ultimamente tenho tido medo. Medo de tudo
De mim, desta minha psico somaticidade que me trás pelos pés, a arrastar-me em lamas passadas que deveriam estar secas há muito.
De ti, desta tua rua que se tornou avenida e me faz vislumbrar cidades. Desconhecidas, inexistentes, dirão certamente que sou louca. Mas isso não estava em discussão pois não...?
Dos outros. Tenho medo dos outros, do mal que isto me faz. Tenho medo do mal que me farão quando escrevo linhas incertas. Finjo que não as conheço, que não as vou por em sítio nenhum. Finjo que escrevo só para mim. E depois não dou explicações.Não tenho que dar, ao diabo convosco. Ou comigo. Mas, ou vocês ou eu, alguém tem que ir para o Diabo. Ele está lá sozinho, em parceria com Deus. Heresias que me saem dedos fora, sem travões.
Da dor. Temo a dor como nada nesta vida. Temo os momentos de desespero físico, de cansaço, de depressão. Temo sentir o coração a secar, o estomago a arder, as faces a estalar. Sentir o amanhã aqui seria bom, ma não sentir o agora aqui já não seria mau.
Temo a inércia que de vez em quando se agiganta em mim. Braços enormes de inércia prendem-me, agarram-me. Solta-me tu, se fores capaz. Ou ensina-me a soltar-me.
Estou habituada a ver mais do que tu, se te interessa. Sim, lê-me, mas não conseguirás ler o mesmo que eu. Sim, ouve-me, mas nunca ouvirás o mesmo que eu. São as minhas letras e sons, que tu nem vislumbras. Chama-me doida, sim, diz que sou obssessivo compulsiva. Conta à humanidade que me viste a chorar, no chão. Segreda-lhes que sou uma alma perdida, que vagueio em busca de ombros. Diz-lhes tudo o que há de horrivel sobre mim. Faz-me esse favor. Pelo menos deixo de causar desilusões.
Hoje estou cansada de mim. Estou cansada de ver fenómenos psíquicos por mim sobejamente conhecidos, actuarem no meu corpo e mente, e eu aqui, impotente. Sinto-me uma formiga no carreiro da minha psicopatologia gigante.
Haja um Freud que me salve de mim.
